23 ago

COACHING, MEDITAÇÃO e RELIGIÃO

Muitas vezes em meus programas de coaching sugiro algumas práticas simples de meditação, principalmente em situações em que sinto que a ansiedade e a falta de foco atrapalham o processo.

Vária vezes ouvi de meus coachees: “Prefiro não fazer meditação, pois o meu Pastor disse que isto não é bom” ou, “Não vou fazer, o Padre disse que a Igreja Católica proíbe esta prática” ou ainda, “Não posso esvaziar a minha cabeça, pois ela deve estar repleta do Espirito Santo”. Em outras palavras: motivos religiosos são os maiores obstáculos apresentados.

Situações como estas que, além de proporcionarem um estudo sobre crenças limitantes, causam a necessidade de interromper o processo para explicar um pouco mais sobre esta prática. Nem sempre logro êxito, mas nunca deixo de tentar.

Para que possamos partir de um ponto na apresentação deste tipo de problema, quero externar minha própria realidade. Sou cristão praticante, atuei vários anos como Capelão Organizacional, estudo a Bíblia diariamente, portanto o argumento da fé é um terreno confortável para mim.

A primeira desconstrução que gosto de fazer é, utilizando um processo maiêutico, mostrar que a afirmação de “esvaziar a cabeça” é falsa. Em meditação, principalmente se utilizarmos a pratica do Mindfulness, é imperativo que coloquemos algo no centro de nossa percepção, normalmente utilizando a observação da respiração como ponto de partida, como também podemos colocar uma imagem, uma causa, uma tarefa, um santo ou uma divindade em nosso centro de atenção.

Quando a objeção vem por uma suposta advertência da Igreja Católica, costumo lembrar que a prática meditativa é comum na bibliografia dos personagens da Igreja, desde São João da Cruz na segunda metade dos anos 1500 até chegarmos aos Monges Beneditinos que a praticam regularmente. Recentes atividades de Dom Laurence Freeman OSB, a vem tornando comum através dos grupos de Meditação Cristã, espalhados no mundo todo. Os grupos de Meditação Cristã, além da percepção da respiração utilizam alguns Mantras, sendo que o mais comum é o de entoar a palavra Maranata – que é uma expressão aramaica que significa “O Senhor vem!”.

Quando o Coachee pertence a alguma linha protestante, costumo iniciar a discussão abordando a origem da prática de meditação que realmente é fora dos domínios cristãos, pois teve inicio por volta do século VI AC difundida por Sidarta Gautama, o Buda. Depois menciono os trabalhos de Jon Kabat-Zinn e outros cientistas, psicólogos e médicos, professores notáveis em Universidades dos EUA e do Reino Unido, que despiram a pratica meditativa de todo viés religioso, entregando-nos estudos que demonstram as inúmeras vantagens que a meditação proporciona.

Após estas apresentações iniciais, costumo relacionar empresas que já implantaram Mindfulness no seu dia a dia e, parece que tenho mais sucesso quando chego ao Programa Search Inside Yourself inicialmente desenvolvido nos corredores do Google.

Esta resistência frente a pratica da meditação acontece , também, nas empresas brasileiras e tenho observado que tanto gestores, quanto colaboradores ainda não se sentem muito confortáveis com a ideia, porém o número de empresas que já incorporaram a pratica na totalidade de seu quadro ou parte, vem aumentando significativamente, tanto que já existem alguns modelos testados no Brasil que garantem o sucesso dos projetos de sua implantação..

A prática da meditação em empresas no exterior já é muito grande e o Vale do Silício é um dos polos irradiadores de seu uso.

O modelo que utilizo é bastante semelhante ao utilizado pelo Google e requer a divisão do projeto de implantação em no mínimo 5 fases, a maioria delas para vencer a resistência de algumas pessoas, que simplesmente ainda não perceberam que os tempos são outros e que FOCO e presença no aqui e agora é que vem se tornando em um diferencial competitivo não só para os profissionais, mas também, para as organizações.

 

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