20 fev

O que os filósofos antigos têm ainda a nos ensinar

Muitos de nós julgamos que textos filosóficos são extremamente complexos. Muitos realmente são, mas os filósofos antigos eram bastante práticos e ainda hoje têm muito a nos ensinar.

Em meus atendimentos individuais ou em grupos, tenho o costume de utilizar com muita frequência o que os filósofos antigos ainda nos ensinam e sempre fico admirado com a sabedoria que perdura há séculos proporcionando excelentes resultados até hoje.

Há mais de dois séculos estes sábios vêm nos ensinando sobre felicidade, resiliência e outros temas que estão cada vez mais presentes em organizações do século XXI. Veja alguns exemplos:

Mude o que está sob seu controle – ignore o resto

Epiteto, um filósofo grego que viveu como escravo na casa do cruel Nero, em Roma, classificava as coisas como estando sob nosso controle ou não sob nosso controle.

É dele a frase: “Algumas coisas estão ao nosso alcance, enquanto outras não. Dentro de nosso poder estão opinião, motivação, desejo, aversão e, em uma palavra, o que quer que seja de nossa própria conta; não está ao nosso alcance o corpo, a propriedade, e em uma palavra, o que não é de nossa autoria.”

Você não pode controlar tudo o que acontece com você, mas pode controlar a maneira como responde. Na sua resposta está o seu maior poder. Hoje temos muitas ferramentas que nos auxiliam em nossas respostas e, a Teoria U, de Otto Scharmer é uma delas.

Grande parte do nosso sofrimento é querer agir em assuntos que estão fora de nossa alçada ou do nosso controle. Uma outra causa que também nos traz sofrimento é viver com preocupação excessiva no futuro, algo que decididamente também está fora de nosso controle.

Marco Aurélio, Imperador e Filósofo romano nos ensina: “Nunca deixe o futuro incomodá-lo. Você o encontrará, se for necessário, com as mesmas armas da razão que hoje o armam contra o presente.
Preocupar-se com as coisas fora do seu controle não realiza nada, exceto gastar muita energia que poderia ser melhor aproveitada em outra atividade.

Não gaste sua vida se preparando para a vida

A vida é muito curta para não a vivermos intensamente a cada momento. O tempo passa rápido e quando chegarmos em uma idade mais avançada, perceberemos o quanto perdemos do nosso tempo nos preparando para viver, o que em muitas vezes é uma meta difícil de atingir.

Devemos viver o momento presente, como se fosse o último para, só assim, construirmos um futuro de felicidade.
A vida também pode se tornar um fardo mental e emocional se você passar o tempo todo se preocupando com o futuro imprevisível ou com os arrependimentos do passado.

Sêneca, um filósofo romano, nascido na Espanha, nos ensina: “Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas que desperdiçamos muito. A vida é longa o suficiente, e uma quantia suficientemente generosa nos foi dada para as mais altas realizações, se tudo fosse bem investido. Mas quando é desperdiçado em luxo negligente e gasto em nenhuma boa atividade, somos finalmente forçados pela restrição final da morte a perceber que ela faleceu antes que soubéssemos que estava passando. Assim é: não temos uma vida curta, mas a tornamos curta, e não somos mal fornecidos, mas desperdiçamos … A vida é longa se você souber usá-la.”

Já no primeiro século da era cristã nos apresentava como solução para uma vida feliz, o viver no “Aqui e Agora”, algo que hoje, estudos têm mostrado que é a forma plena de viver a vida. Sêneca nos ensina que a vida pode ser curta ou longa, dependendo de como você decide vivê-la. Se você passa toda a sua vida se preparando para a vida, não está escolhendo viver o agora.

A Filosofia, ou o amor pela sabedoria, é uma base sólida para a construção do dia a dia de nossa vida.
Aqueles que auxiliam pessoas, quer sejam Coaches, quer sejam Mentores, ou outros que têm o mesmo objetivo, deveriam necessariamente ter este embasamento, até para que possam praticar uma escuta ativa e possuir um rico repertório para auxiliar quem está a sua frente.
Hoje as escolas não oferecem mais a disciplina Filosofia aos seus alunos das séries iniciais, se o fizessem facilitaria muito o aprendizado pela postura crítica perante a vida que a Filosofia proporciona, pois mais importante que “conhecer” Filosofia é saber pensar com a Filosofia.

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