Cleyson Dellcorso

Um salário que mal dá para sobreviver

Infelicidade no trabalho causa malefícios à saúde e à produtividade

Estamos em um momento de transição, não só em como encaramos nossa atividade profissional, mas também como as empresas veem seus colaboradores.

Sabemos que o lucro é um bem social, mas ainda poucas empresas estão tendo consciência de que ele pode ser significativamente maior, se a política da gestão for mudada para um novo modelo que está sendo sinalizado nesta transição.

Não só o modelo de gestão e as políticas da empresa precisam ser revistas, o comportamento pessoal e profissional também precisa de muita atenção devendo estar alinhado com os novos cenários.

Ambas as partes do binômio devem se ajustar com o que vislumbramos no horizonte. Tanto empresas quanto profissionais devem encarar a nova realidade.

O comportamento do profissional está mudando, veja como acompanhar

Costumamos afirmar que o profissional deve saber dosar a sua vida pessoal e profissional, mas no novo cenário ambas se entrelaçam, aliás é o que vem acontecendo desde o tempo dos pagers, talvez sem que percebêssemos. Apenas, precisamos entender esta nova realidade e fazer com que ela trabalhe a nosso favor.

O profissional deverá estar cada vez mais estar alinhado com as necessidades de sua área profissional, com seu propósito de vida (você já o definiu?), com sua missão de vida, que normalmente nem conhecemos, além das necessidades do mercado e da empresa em que trabalhamos.

O bom profissional é valorizado pela sua empresa, enquanto os excelentes, além de serem requisitados pelo mercado poderão ter a opção de escolha, privilegiando aquelas que pertencem ao seleto grupo das the great place to work. É um caminho de mão dupla, empresas excelentes recrutam profissionais que atingiram os níveis de excelência, independente de cargo, formação etc.

O aspecto comportamental do profissional, hoje, já tem mais significância que suas competências técnicas, por isso, deverá dar atenção às suas soft skills, sua empatia e principalmente, coerência entre o que diz e o que vive.

Profissionais excelentes buscam empresas onde possam ser felizes, pois é nela que passarão a maior parte de seu dia. Eles sabem que a infelicidade no trabalho causa problemas à saúde.

Não é o trabalho em si a causa do sofrimento, é o modo pelo qual trabalhamos, o modo pelo qual organizamos, gerenciamos e lideramos. (Raj Sisodia)

Um estudo apresentado pelo China Yoult Daily, mostrou que 600 mil profissionais perderam a vida na China em 2018 por trabalharem demais ou por problemas decorrentes de suas atividades profissionais.

Trabalhar demais em troca de um salário que mal dá para sobreviver, esta é a realidade da pesquisa apresentada e é aqui que está o grande questionamento: Vale a pena? O que fazer para mudar esta situação? Quem está lucrando em excesso com esta situação?

A primeira vista podemos pensar que, por este estudo ter sido feito na China, que é um mercado sui generis e o que acontece lá, dificilmente acontece no resto do mundo. Grande erro.

Nos EUA, 120 mil mortes/ano/média e US$ 180 bi de gasto com saúde, acontecem por decorrência do trabalho, problemas que vão desde acidentes até aqueles causados pela falta de felicidade no trabalho, resultando em estresse, depressão e outros problemas psicológicos.

A infelicidade na vida profissional é a maior causa do absenteísmo.

Os profissionais estão sendo infelizes e morrendo por um salário de sobrevivência. Será que precisamos disso?

Se continuarmos a ignorar a nossa realidade, antes de 2050 teremos que reinventar os modos pelos quais atendemos quase todas as nossas necessidades (Michel Gelb). Por que não iniciar isso hoje?

Ainda podemos aprender com os Filósofos antigos

Já se sabe que a felicidade dá lucro, portanto as empresas devem tomar ações para que seus colaboradores se sintam felizes por fazerem parte do grupo.

Seria exigir demais das empresas? Creio que não, pois o custo-benefício em remunerar com justiça e proporcionar o sentimento de pertencimento a seus colaboradores, aumenta consideravelmente o lucro, causa menor índice de afastamento por doença e reduz drasticamente o turn over.

Muitas organizações já estão percebendo que “o negócio das empresas são as pessoas” (Kelleher), Só é necessário mudar a filosofia de gestão e considerar que o sistema capitalista é benéfico, deste que vivido conscientemente.

O sucesso é medido pelo modo com que tocamos a vida das pessoas.

 

 

 

 

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