12 nov

Um Viking com coração de mãe

O desenvolvimento da liderança de Shackleton

Shackleton foi criado para ver o mundo de uma forma ampla e compreensiva, moldando assim, desde a infância o seu estilo de liderar. Sua criação fez com que assumisse o papel de protetor, tomando sempre a frente das ações para que o jogo fosse limpo e honesto. Sempre esteve adiante de seu tempo com relação a seus comandados e na maneira de trata-los, quebrando assim os paradigmas de sua época.

Apesar do físico robusto, da enorme energia e assertividade, ele sabia também ser cuidadoso e delicado, esquecia rapidamente as fraquezas dos outros e a sua generosidade não permitia agradecimentos em troca.

Shackleton buscava seus objetivos com grande paixão.

Nesta série de artigos sobre Ernest Shackleton e seu modo de influenciar pessoas, vamos hoje analisar como se deu o desenvolvimento de sua liderança e em como busquei em seu comportamento informações valiosas que uso em processos de Coaching de Liderança.

shackleton

Ao longo de sua vida profissional, antes como comandado e depois como comandante de seu navio, sempre distinguiu-se no serviço, indo muito além dos deveres básicos exigidos pelo cargo. Com sua forte característica de criatividade e inovação desenvolveu ideias próprias sobre como conduzir as atividades em um navio e como ele próprio deveria proceder, nunca deixando de observar o horizonte para que oportunidades não passassem sem serem aproveitadas.

Era autodidata e um excelente negociador, lia vorazmente e em todas as oportunidades que a vida lhe apresentou sempre esteve pronto a assumir a função sem receios, pois o conhecimento adquirido dava-lhe sempre a confiança e o senso de oportunidade necessário.

A vida no mar era difícil e endurecia os corações dos homens tornando-os imunes as emoções, mas ele nunca perdeu a compaixão pelas pessoas, principalmente aquelas que estavam doentes, infelizes ou sentindo falta de casa. Shackleton permitia-se ser feliz e isto contagiava os seus comandados, contribuindo para levantar o moral da tripulação em todos os cargos que ocupou.

Shackleton tinha certeza que o moral elevado da equipe proporcionava resultados inimagináveis e que todos os possíveis fracassos que ocorressem poderiam ser transformados em oportunidades. Seu otimismo era contagiante.

Ele tinha planos audaciosos, mas extrema cautela na execução, dando especial atenção aos detalhes. A vida o ensinou a aprender com seus erros anteriores.

O “Chefe” como era chamado tinha um comportamento caloroso, brincalhão e igualitário, atribuindo sempre responsabilidades e promovendo a independência. Falava sempre de maneira aberta e franca e tinha como ponto focal o bem estar dos membros de sua equipe e se ocorressem imprevistos costumava dizer: “afinal de contas, dificuldades são apenas coisas a serem superadas”.

Em meus programas de Coaching de Liderança costumo sugerir alguns aspectos que Shackleton incorporou em sua vida, que segundo jornais da época foi “feita para comandar”:

  • Nunca insista em atingir um objetivo a qualquer custo. Tudo deve ser conseguido com esforços razoáveis sem sacrifícios desnecessários para a equipe.
  • Mantenha uma competição respeitosa, não leve suas disputas pessoais ao domínio público.
  • Você causa impacto na vida das pessoas mais que imagina. Cultive sentimentos de compaixão e de responsabilidade pelos outros.
  • Amplie seus horizontes culturais e sociais, leia muito, estude bastante, tenha excelentes relacionamentos, seja flexível e aprenda a ver uma situação sob vários ângulos diferentes.
  • Esteja sempre preparado para as oportunidades que surgirem.
  • Encontre uma forma de transformar os contratempos e fracassos em vantagens a seu favor.
  • Seja ousado na visão e cuidadoso no planejamento
  • Aprenda com seus erros e com os dos outros.
  • Trate os outros como gostaria de ser tratado. Seja empático.
  • Coloque como prioridade o bem estar de sua equipe respeitando cada um individualmente.

A dinâmica do mundo corporativo parece ter deixado de lado algumas das sugestões aqui apresentadas, mas é com grande alegria e confiança que vejo este comportamento presente nas organizações que tornaram-se “the best place to work” e neste final de ano, como é comum, a imprensa especializada apresenta os cases de sucesso do ano que se finda e todos sem exceção seguem por esta linha.

Até a próxima semana, quando falaremos sobre o estilo Shackleton de formar equipes de sucesso.

 

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