Cleyson Dellcorso

Uma “deslição” de liderança

Realmente estamos vivendo um período conturbado.

Fomos atingidos por uma pandemia que, se não nos pegou totalmente de surpresa, nos mostrou o quanto estávamos despreparados para situações como esta.

Com a chegada deste vírus, nos demos conta que o SUS é fundamental para a população e que por falta de patriotismo, desrespeito com o ser humano, impunidade com a corrupção desenfreada e principalmente pela falta de competência na gestão, sempre foi visto com olhos de reprovação, porém se bem administrado e com responsabilidade social, trará muitos benefícios ao povo brasileiro.

Neste momento talvez surja um questionamento: A quem interessa o SUS com baixa eficiência e qualidade?

Percebemos também que nunca tivemos políticas públicas eficientes para a população em geral, fruto de se priorizar a política partidária e, quando surge uma situação como a que estamos vivendo, os responsáveis pela gestão voam desorientados como abelhas quando mexemos em sua colmeia: voam desorientados causando crises.

Não podemos nos esquecer que toda crise é uma oportunidade para aprendizados.

Há anos venho lecionando em MBA´s e facilitando treinamentos em empresas, na área de Liderança e Gestão de Pessoas. Como em minhas aulas uso a técnica do Storytelling, sempre busco cases que possam facilitar a apresentação dos conteúdos. Ao longo dos anos, sempre foi difícil encontrar os assuntos necessários para enriquecer o Storytelling abordando apenas um case em especial, mas finalmente o meu repertório foi enriquecido, pois em um único case, tenho exemplos para uma verdadeira “deslição” de liderança.

Não temos necessidade de identificar o case, mas sim, as lições aprendidas com ele; antes, porém, quero lembrar uma frase de Jim Collins em “Empresas feitas para vencer” – O verdadeiro líder olha pela janela o sucesso, porém o fracasso pelo espelho – No mesmo livro o autor apresenta como um dos resultados de sua pesquisa que “o grande líder jamais usa a palavra EU, mas sim NÓS, com atribuição total dos méritos à equipe, além de ter a humildade como sua grande característica”.

Todo líder tem algumas características marcantes. Uma delas vem desde a etimologia da palavra no grego antigo que traz o conceito de – Observador do mar – (epíscopos) isto é, aquele que orientava os navios, pois conhecia os caminhos dos recifes na entrada de uma baia e que trouxe até nós a expressão – conhece o caminho das pedras. Isto significa que um líder não pode deixar de ser o sinalizador, o balizador de um caminho, sem isto, nunca será um líder. É o líder que orienta e mostra o caminho a ser seguido.

Uma outra característica do líder é que através de suas habilidades interpessoais ele alinha as pessoas, fazendo com que os objetivos sejam alcançados pelo poder de sua influência. Um líder, jamais separa. Ele agrega pessoas para que sigam em uma direção, usando as expertises individuais em benefício do grupo ou da causa. Sem esta característica, o profissional ou o chefe, jamais terá capacidade de liderar, pois será semelhante a um feitor que, pela imposição, conduz a uma direção pré-estabelecida.

Por ter um pensamento estratégico bastante desenvolvido o verdadeiro líder motiva e inspira, sempre incentivando o trabalho em equipe e nunca centralizando em si mesmo todas as ações, características dos profissionais inseguros ou mal capacitados para a função.

Outra característica do líder é se valer do seu pensamento sistêmico para solucionar problemas que, em conjunto com sua habilidade política, tem como objetivo transformar a sua área de atuação em ambiente de profissionais felizes, pois são valorizados, reconhecidos e incentivados.

Os grandes líderes têm um comportamento que atualmente é difícil encontrar entre os profissionais, que é o altruísmo. Na verdade, este comportamento é que diferencia os excelentes líderes dos demais e que faz com que suas empresas façam parte do grupo restrito das melhores empresas para trabalhar.

Um profissional de qualquer área ou setor que não tiver no mínimo as características aqui apresentadas, não é um líder e, caso lhe seja dada uma posição decisória, levará o grupo ou empresa ao caos, reduzindo seu poder competitivo e representativo no mercado. Isto por colocarem o conceito de liderança de cabeça para baixo.

De um modo geral os falsos líderes, são destituídos de seus cargos pela cúpula das organizações com bastante rapidez, pois caso contrário provocarão danos à empresa, que poderá levar um bom tempo para ser reparado.

Grandes crises, sejam elas de caráter econômico, ocasionadas por ações da concorrência ou, até mesmo, em pandemias como a que estamos presenciando, só são corretamente enfrentadas pelos autênticos líderes e não apenas por pessoas bem intencionadas.

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