Cleyson Dellcorso

Você está trabalhando da maneira correta?

Recentemente fiz uma viagem profissional para Manaus e as 4 horas de voo, naquele momento, pareciam intermináveis mesmo sendo um voo bastante tranquilo.

Durante o voo, o meu pensamento era: Quantas coisas poderia estar fazendo durante estas 4 horas em lugar de estar sentado aqui neste avião? Será que como consolo posso evocar a frase de Ovídio, em Heroides: “Os fins justificam os meios”?
Enquanto refletia sobre isso lembrei que normalmente um dia de trabalho tem 8 horas, portanto o dobro daquele tempo, o que me levou a pensar: por que motivo usamos tanto tempo “trabalhando” todos os dias e não produzimos muita coisa, apesar de chegarmos ao término da jornada, cansados e estressados?

Faça esta análise comigo: Quanto poderia produzir se me dedicasse por 4 horas de trabalho, com foco no que faço e sem interrupções desnecessárias? Quatro horas, a metade de minha jornada de trabalho, sem ser interrompido, com atenção plena na atividade exercida, sem ter que participar de reuniões enfadonhas e desnecessárias? Sem ter que responder imediatamente a mensagens eletrônicas que teriam a urgência atenuada se houvesse um melhor entrosamento entre os vários envolvidos? Sem divagações, celulares, aquela olhadinha nas notícias do dia ou nas mídias sociais?

Certamente a nossa produção seria muitíssimo alta, muito mais do que fazemos em um ou dois dias “normais” de trabalho e o cansaço muito menor.

Muitas vezes esquecemos que uma simples olhada no smartphone representa em média 17 minutos de inatividade, isto é, o tempo de decidir que vou pegar o celular para “descansar a mente” e depois um tempo para engrenar naquilo que fazíamos anteriormente. Esta atividade de readaptação do cérebro, várias vezes ao dia é o que nos cansa e estressa, e pior, pensamos assim: estou cansado, parece que fiz muita coisa, mas no final a produção foi pouca.

Se esta readaptação do cérebro já causa tudo isso por uma simples olhada no celular, imagine interrompendo o que estamos fazendo para participar de uma reunião desnecessária que poderia ser evitada com uma simples troca de e-mails ou uso de algum aplicativo no sistema para atualização de status?

Eu já me perguntei se paradas não seriam necessárias para “acalmar” e “distrair” a nossa mente. A resposta a isso foi um alto e sonoro SIM! Precisamos de rápidas paradas de tempos em tempos para descanso do cérebro, mas não exercendo atividades que nos tragam mais informações ou desviem a nossa atenção inicial.

Com o tempo aprendi que para mim o ideal é fazer paradas a cada 50 minutos durante uns poucos minutos, tempo que utilizo para uma rápida meditação onde concentro minha atenção apenas na respiração, sem ocupar minha mente com mais informações. Para isso, uso um aplicativo que me avisa os momentos de parada. Talvez você perceba que precisa de intervalos maiores ou menores. Tenho 75 anos, minhas atividades vão além das 8 horas diárias e com esta prática, ao fim do dia não estou cansado e não estou estressado, sobrando tempo para um curso de especialização. (online)

Vamos mudar a rotina de nossas atividades de forma racional, não apenas “apagando incêndios”, mas realizando aquilo que nos propomos de forma tranquila, estruturada e sem perdas de tempo ou distrações.

Finalmente, lembre-se que muitas empresas ao redor do mundo já estão utilizando jornadas de 32 horas semanais a fim de que seus colaboradores possam dedicar mais tempo à família. Lembre-se também de que horas extras normalmente é o resultado de má administração do tempo, planejamento malfeito ou de interrupções desnecessárias durante o dia.
Trabalhe certo, não muito, não pouco, o necessário.

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